• 09 DE OUTUBRO DE 2026

Professores em falta?

Professores em falta?
Foto: Adobe Stock

Com o Dia dos Professores se aproximando, em 15 de outubro, a categoria chega a mais uma data comemorativa enfrentando velhos e novos desafios. Além da longa luta por valorização profissional, ganha força uma preocupação com o futuro da carreira: a dificuldade de atrair novos profissionais para as salas de aula.

É o que aponta um levantamento divulgado em setembro pelo Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp). Intitulado “Apagão dos professores: o desafio da renovação no Brasil”, o levantamento revela que o quadro docente no ensino médio está envelhecendo, enquanto a entrada de novos profissionais vem diminuindo.

Os dados do estudo mostram que entre 2015 e 2025 houve uma queda de 31,1% no número de docentes com até 24 anos, enquanto o contingente de profissionais com 60 anos ou mais cresceu 104,5%. Além disso, a taxa de renovação da carreira, que em 2015 era de praticamente um novo professor para cada aposentadoria, caiu para 0,32 em 2025. Ou seja, para cada três docentes que se aposentam, apenas um novo profissional ingressa na carreira.

Segundo o levantamento, se essa tendência não for revertida, a projeção é de que a taxa de renovação chegue a 0,17 até 2040. Nesse cenário, seriam seis aposentadorias para cada novo profissional.

Falta de valorização

O estudo do Semesp indica que a falta de valorização pode estar entre os principais fatores para o desinteresse pela carreira. Cerca de 74,8% dos docentes afirmam sentir falta de reconhecimento profissional, enquanto 79% já consideraram abandonar a profissão. Esse quadro se reflete no número de concluintes em cursos de licenciatura, que caiu 13,5% entre 2015 e 2024.

Quadro da rede municipal

Segundo dados da Secretaria Municipal de Educação (Smed), a Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte aumentou de 9.393 para 14.980 o número de professores nos últimos oito anos. Apesar do crescimento de quase 60% no quadro geral, entre 2018 e 2026, a idade média permaneceu em 48 anos.

Entre os mais jovens, a mudança foi pequena. O número de docentes com até 29 anos passou de 282, em 2018, para 296 em 2026, um crescimento de cerca de 5%.

Já entre os profissionais com 60 anos ou mais, o movimento foi bem mais expressivo. O grupo passou de 543 para 1.549 docentes no período, um aumento de 185%. Com isso, sua participação no quadro total praticamente dobrou de 5,8%, em 2018, para 10,3% em 2026.


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