• 10 DE ABRIL DE 2026

Inteligência Artificial e Psicologia

Inteligência Artificial e Psicologia
Foto: Inteligência artificial

Inúmeros conteúdos têm invadido as redes sociais, mostrando o crescimento do uso da Inteligência Artificial (IA) como suporte psicoterapêutico na contemporaneidade. Como psicoterapeuta, não a vejo exatamente como uma ameaça. Ela me preocupa mais do que me assusta.

O ser humano está sempre em busca de algo que responda às suas angústias. Quando a falta se intensifica e se sobrepõe à razão, buscamos algo que nos ampare e silencie a dor do não saber. A procura pela IA surge nesse contexto. Em uma época em que o laço social está fragilizado, a IA se apresenta como um parceiro que escuta sem analisar, responde rapidamente e oferece uma sensação de compreensão e pertencimento.

A IA encarna a fantasia de um “outro” que não confronta o sujeito com a falta, com o que não se sabe, mas apenas o serve. Na psicoterapia, é o desejo que estrutura a transferência e possibilita a elaboração do sujeito. A máquina pode responder, mas não deseja; pode organizar informações, mas não sustenta a posição de sujeito.

Nesse sentido, a IA pode ser vista como uma expressão tecnológica do discurso capitalista: um sistema que promete respostas para tudo, elimina o tempo do não saber e oferece a ilusão de um saber completo e viável.

A psicoterapia segue na direção oposta. Seu trabalho não é fornecer respostas prontas, mas sustentar o tempo do sujeito, a escuta do inconsciente e o lugar do não saber — espaço onde algo novo pode surgir.

Na elaboração deste texto, fiz uso da IA. Ela não o escreveu. Minha experiência, meu passado, minha relação com meus colegas e pacientes, meu medo pelo futuro do meu filho — esses o escreveram.

A IA foi apenas uma parceira para as lacunas da memória, da gramática e da ortografia que tanto me desafiam. Limite para uma mente que deambula. Ela me ajuda, mas não decide por mim; serve-me como um instrumento, mas não substitui meu pensamento. Não substitui o encontro humano. E é na relação com o outro, com seus limites e diferenças, que o sujeito pode construir um saber sobre si e produzir verdadeira transformação psíquica.

Artur Leão
Psicólogo da AssempBH


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